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| A Faca Como Instrumento de Defesa Urbana |
Princípios e técnicas da luta com lâminas
____________________________________________________Alessandro Ciciliani
A faca é um instrumento de características únicas.
Certamente foi uma das primeiras ferramentas do Homem e com o
passar dos tempos evoluiu como uma de suas primeiras armas.
Achados arqueológicos trouxeram a luz facas primordiais, de
pedra, fabricadas antes do advento dos metais. É certo,
entretanto, que desde 4500 aC já eram confeccionadas facas e
adagas de cobre no Egito, Mesopotâmia e outras áreas do Médio
Oriente. As primeiras verdadeiras facas de combate apareceram ao
redor de 3500/3000 aC, ainda de cobre. O sumérios introduziram,
em cerca de 2500 aC, as facas de bronze, mais resistentes que as
anteriores e os escadinavos produziram as suas entre 1800/1500
aC. Os hititas têm a seu crédito a descoberta e utilização do
ferro, com o qual fabricaram facas e lâminas de combate em
geral, ao redor de 1500 aC.
Seu métodos de fundição e trabalho foram copiados pelos filisteus e posteriormente pelos judeus entre 1025 e 975 aC. Por volta de 700 aC, facas de combate de ferro eram produzidas no Egito e na Grécia, e no século seguinte já tinham alcançado lugares distantes como as Ilhas Britânicas e a Índia.
Este ensaio não tratará da faca como objeto de decoração, coleção ou como artefato esportivo, mas como arma destinada a ferir ou matar. Não há desculpas para o ato de matar, visto nenhuma justificativa se sustentar à luz da razão. Esta contingência é fixada exclusivamente entre cada homem e sua consciência, o seu respeito pela vida e o entendimento subjetivo daquilo que é certo ou errado. Tirar a vida de um ser humano sempre deixa no agente, por mais endurecido ou coberto de razões que esteja, uma marca indelével pelo resto da vida. As leis do Homem podem até não alcançá-lo, mas este nunca mais caminhará sobre a Terra da mesma maneira despreocupada e, infalivelmente, uma parte de sua alegria de viver estará perdida para sempre. Não se trata de um sermão sobre o Quinto Mandamento. É um mero apelo à razão e à consciência. Talvez, se os tempos não fossem tão difíceis e conturbados como os que vivemos, estas palavras nunca seriam escritas.
Grandes são as lendas e crenças a respeito do uso da faca como arma de defesa. Tentaremos ilustrar alguns dos tópicos mais controvertidos e fornecer ao Leitor uma visão geral sobre o assunto.
Enquanto existem inúmeras publicações sobre o manejo da "irmã maior" da faca, a espada, muito pouco se encontra na literatura sobre a primeira. O "Trattato di Scienza dArme", publicado em 1604 e de autoria de M.Camillo Agrippa, grande teórico italiano do combate com armas brancas, menciona a faca ( ou punhal) como peça complementar do florete. Autores posteriores com freqüência fazem referência à faca como objeto de uso culinário e empregado em rixas de taberna, por camponeses e vagabundos, não certamente digno de gentis homens afeitos à nobre e elevada arte do uso do florete, por eles usado para resolver pendências e matar os desafetos, "de maneira educada, honrosa e elegante". Com o advento e aperfeiçoamento das Armas de Fogo, nos séculos XVIII e XIX, a espada perdeu rapidamente prestígio e utilidade, quando então a faca retornou ao uso como alternativa válida de arma pessoal. A publicação intitulada "Manual del Baratero u Arte de Manejar la Navaja, el Cuchillo y la Tijera de los Jitanos", editada em Madrid em 1849, ilustra o crescente interesse no assunto e descreve o uso da faca e da tesoura no estilo de luta dos Gitanos da Espanha.
A TRAJETÓRIA
Nos EUA, durante o século XIX, já começaram a aparecer escolas, muitas das quais nos arredores da cidade de New Orleans, na Louisiana, com a finalidade de adestrar os interessados no manejo de facas, notadamente as do tipo "Bowie" e "Arkansas Toothpick". Estas "academias" gozaram de substancial popularidade até fins de 1830, quando foram forçadas a suspender as atividades devido a novas legislações proibitivas.
Poucas publicações trataram seriamente do assunto até o advento da 1a. Guerra Mundial, quando o combate de trincheira em ambiente restrito trouxe a faca como peça importante de uso militar e cuja utilidade foi amplamente debatida pelos teóricos das nações empenhadas na luta. Esta discussão pouco prolongou-se após o final do conflito e ficou reduzida a poucos praticantes até o início da 2a. Guerra Mundial, quando começa o período que pode muito bem ser definido como o "renascimento" do uso da faca como arma de combate.
No início dos anos 40 formaram-se duas grandes escolas que até hoje são a base da metodologia de treinamento nos exército ocidentais. O major britânico W.E. Fairbairn no cargo de Comissário Assistente da Polícia Municipal de Shangai criou a assim chamada "Técnica de Comando", também conhecida como "Escola de Shangai", e que recebeu posteriores refinamentos do Ten. Cel. Rex Applegate do exército dos EUA. Esta técnica foi utilizada pelos comandos ingleses, pelo OSS (Serviço de Operações Especiais do Exército dos EUA) e pela Primeira Força de Serviços Especiais da mesma força militar.
A segunda escola, conhecida como "Técnica de Sabre", ou "Escola Formal", foi desenvolvida pelo Ten. Cel. A.J. Drexel Biddle e era adotada pelo U.S. Marine Corps. Os maiores refinamentos posteriores são creditados ao ex-US Marine John Styers que deu instrução em várias bases militares nos EUA.
O Major Fairbairn é o autor do "Manual de Combate Individual do Exército Britânico" e, em conjunto com E.A. Sykes, criador da lendária faca Fairbairn-Sykes usada pelos famosos comandos britânicos já na 2a. Guerra Mundial.
Um conhecimento prévio dos pontos críticos a serem atingidos num embate à faca é de natureza essencial, visto que nessa modalidade de luta geralmente não se fazem prisioneiros. A tabela seguinte, publicada no livro "Get Tough", de autoria de W.E. Fairbairn, fornece estes dados (fig.1)

Nº
Artéria/Orgão Tamanho Profundidad
As técnicas empregadas pelos samurais do Japão antigo, creditados historicamente como os maiores mestres no uso de lâminas em combate individual, encontram-se hoje incorporadas às teorias modernas do combate com faca, como exporemos a seguir:
1 Distância de combate/engajamento;
2 Oportunidade;
3 Dominação;
4 Continuidade de Ação.
Vamos explicá-las um pouco mais detalhadamente:
DISTÂNCIA DE COMBATE/ENGAJAMENTO
A distância de combate/engajamento é aquela que cada oponente procura manter, aguardando em posição defensiva o ataque adversário. Esta distância não pode ser expressa em metros ou centímetros, visto ser variável de indivíduo para indivíduo. Ela é resultante da atitude mental do combatente e representa, em última análise, o resultado de emoções contrastantes como o medo, agressividade, disposição emocional e autoconfiança. Podemos defini-la, grosso modo, como o semicírculo descrito à nossa frente, na ponta da faca empunhada (fig. 2)

OPORTUNIDADE
A oportunidade é a situação que se apresenta propícia à aplicação de um golpe, seja em defesa de um ataque ou não, onde não se busca exclusivamente atingir qualquer ponto mortal ou incapacitante. Aplicar um ou mais golpes, ainda que não mortais ou incapacitantes, tende a desmoralizar o oponente e ainda aterrorizá-lo ou mesmo enfurecê-lo. Em ambos os casos ele se torna passível de ser dominado cada vez mais facilmente. Se aterrorizado, cometerá erros e fará movimentos inadequados, expondo partes que poderão ser atingidas. Se enfurecido, tentará acabar de vez a luta e avançará cegamente, igualmente expondo-se e tentando de toda maneira atingir-nos, só pensando nisto e esquecendo completamente de proteger-se. Vale aqui afirmar que homens de estatura elevada e/ou possuidores de muita força física tenderão a tentar agarrar o oponente com a mão livre para assim assegurar uma vantagem que eles inconscientemente sabem que têm. Deve-se evitar a qualquer custo que isto aconteça, visto que devemos manter a distância que nos interessa, isto é, o campo de ação e a liberdade de movimentos que nos é favorável.
DOMINAÇÃO
Como qualquer arma, a faca não é um objeto que deva ser manuseado levianamente. Não se deve sacar de uma faca a não ser que a situação realmente o justifique. Uma vez sacada, deve existir a decisão de usá-la se a situação o requerer e medidas de dissuasão não tiverem o êxito esperado. Em outras palavras, não se saca de arma alguma se não houver a firme decisão de usá-la. De outro modo estaremos expondo-nos gratuitamente e correndo o risco de sucumbir vítimas até de nossa própria arma nas mãos de um oponente decidido, ainda que desarmado.
Uma vez estabelecida a necessidade de sacar a faca, esta deve ser empunhada corretamente de modo a permitir o corte ou a estocada, conforme a necessidade (ver fig. 3). Evite as empunhadura tipo "martelo" ou "picador de gelo" (ver fig. 4), uma vez que oferecem poucas alternativas de movimento e são as pegadas mais vistas entre os principiantes.


A mão com a faca deve estar posicionada à frente, de modo a aparar qualquer avanço do adversário. O fio da lâmina deve apontar para baixo (como quando Você corta uma fatia de salame numa mesa); isto permite golpes cortantes para direita ou esquerda, sempre tendendo a ser de cima para baixo. Desta maneira, o esforço exercido sobre a lâmina transmite-se ao cabo que por sua vez encontra apoio firme na palma da mão, entre o polegar e o indicador. Um golpe dado inversamente fará que, com facilidade, a faca escape de sua mão, escorregando entre o polegar e o indicador e deixando-o à mercê do oponente.
CONTINUIDADE DE AÇÃO E TÁTICAS DE COMBATE
Existem diversas maneiras de se carregar uma faca. No ambiente urbano é necessário manter a faca fora de olhares indesejados mas, ao mesmo tempo, bem ao alcance da mão para um saque rápido.
Trajando uma simples calça e uma camisa, podemos colocar a faca embainhada por debaixo do cinto, junto à espinha dorsal e inclinada para facilitar a "pega". A camisa dependurada para fora das calças ocultará convenientemente a faca. Podemos ainda carregá-la presa à perna, na parte interna e com o cabo apontando para baixo, desde que disponhamos de uma bainha adequada que a mantenha em posição quando estivermos em movimento e atividade normal. Podemos ainda portá-la dependurada sob o braço e com o cabo para baixo, sempre com arnês apropriado. Existe ainda um modo pouco conhecido, onde a faca fica no meio das omoplatas e com o cabo para cima, permitindo o saque rápido enquanto damos a impressão que estamos erguendo os braços em atitude de rendição. O arnês utilizado para esta última modalidade assemelha-se a um suspensório onde a bainha fica firmemente presa. É possível inclusive lançar a faca a partir desta posição de saque, com extrema rapidez e para surpresa do oponente.
Uma vez empunhada a faca como antes explicado, imediatamente devemos assumir a postura de "distância" e aguardar o ataque adversário, sempre presumindo que ele esteja armado com outra arma branca, com bastão ou mesmo nada. Se o adversário, para nosso maior azar, sacar uma Arma de Fogo devemos imediatamente decidir se nos rendemos, deixando cair a faca ou (em caso extremo) se a lançamos.
Supondo que não existam Armas de Fogo, nossa atitude dever ser de máxima calma e devemos aguardar o ataque. Se este não se concretiza e aparece a situação propícia à aplicação de um golpe, o mesmo deve ser dado com a máxima rapidez e, em seguida, devemos voltar à posição de "distância".
É bom relembrar ao atento Leitor que os golpes podem ser ministrados com a finalidade de cortar ou espetar. Os golpes de cortar são muito mais fáceis de aplicar seja pela rapidez com que podem ser dados quanto pela distância que podemos conservar. Os alvos preferidos devem ser as partes do corpo do adversário que estão mais próximas, tais como as mãos, pulsos ou braços. Em caso do adversário avançar uma perna, um golpe perfurante na coxa é extremamente efetivo e doloroso, Se ele tentar espetar-nos o peito ou abdômen (como a maioria dos principiantes faz), será extremamente útil (e até mesmo fácil) dar-lhe um corte no braço ou na mão enquanto subtraímos nosso corpo à sua lâmina.
Se um golpe atingiu o adversário, isto o deixará ferido com maior ou menor gravidade. De qualquer maneira, não devemos descuidar, visto que um combate de faca não é um mero exercício esportivo e tampouco é o tipo de negócio onde há espaço para anedotas. Na verdade é algo sujo e extremamente perigoso, sem mencionar o quanto é desagradável.
Prosseguindo, se o golpe aplicado não for mortal nem incapacitante, nosso hipotético adversário ficará assustado e/ou enfurecido. Se assustado, tenderá a ficar na defensiva, gastando muita energia e movimentando-se exageradamente sempre que acreditar que estamos tentando atingi-lo novamente. As fintas que podemos fazer com a mão livre o confundirão e isto o deixará gradativamente exausto e cada vez mais vulnerável, terminando por ficar a nossa mercê. Nossos movimentos devem ser de molde a evitar "telegrafar" ao adversário o que faremos em seguida e assim ele não poderá antecipá-los e nem preparar uma defesa eficaz.
Se, por outro lado, nosso adversário ferido ficar enfurecido, tentará imediatamente retribuir o "presente" com outro maior e deverá avançar cegamente tendo em vista um único objetivo: matar-nos ou, de qualquer maneira, esmagar-nos. Em procedendo assim, deixará de lado todo o bom senso e ficará novamente exposto aos nossos golpes rápidos e às nossas evasivas imediatas. É fundamental neste caso evitar o engajamento aproximado. Nunca devemos permitir que o oponente nos agarre pela roupa ou pelo corpo, Se tentar, corte-o e esquive-se. Empurre-o para longe, mas não permita que ele o agarre de maneira alguma. O grande dispêndio de energia deverá em breve esgotá-lo e ficará cada vez mais exposto aos nossos golpes, terminando à nossa mercê tal como o anteriormente descrito.
O LANÇAMENTO DA FACA
Em casos extremos a faca pode ser lançada uma vez que este seja o último recurso restante. Muitíssima gente acredita que uma faca adequada ao lançamento deve ser a lâmina mais pesada que o cabo, na crença de que assim, uma vez atirada, a lâmina deverá chegar na frente do cabo, ao alvo. Errado!
Qualquer faca, canivete, tesoura, vareta metálica, etc. pode muito bem ser lançada e espetar-se seguramente no alvo escolhido. Obviamente, a precisão e força do lançamento dependem de um bom treinamento e de uma faca com certo peso. Uma faca muito leve não terá como ser portadora de peso inercial significativo e assim a sua penetração será muito reduzida ou insignificante. Autores abalizados colocam como ideal um peso de, no mínimo, 150 gramas.
Para lançar uma faca com certeza de espetá-la no alvo é necessário ter em mente que esta deverá girar no ar, descrevendo um arco de 180 graus, ou seja, deverá dar somente meia volta (fig. 5). A visão de Errol Flynn no papel do temido pirata do Caribe e que, segurando a ponta da lâmina de uma faca entre o polegar e o indicador, a lança e atinge a 50 metros de distância o vilão do filme, não passa de pura fantasia de Hollywood ou de um golpe de sorte tão grande que é impossível repetir-se quando se queira.
A lâmina da faca, para o arremesso, deve estar descansada entre os dedos como ilustrado na fig. 6. O braço deve descrever um arco amplo para dar o necessário impulso. O pulso imprime a rotação e a faca deve deixar a mão no exato momento (fig. 5). Este momento é facilmente adquirido com uma pouco de prática. É muito similar ao ato de atirar pedras que todos nós, quando garotos, dominávamos instintivamente e aprendemos sem ninguém ensinar.


É perfeitamente possível, por outro lado, lançar facas segurando pelo cabo, dependendo apenas de treinar convenientemente e adotando os mesmos princípios antes descritos.
Para treinar o lançamento, aconselhamos arrumar algumas caixas de papelão, abri-las e em camadas sucessivas fazer algo como uma "almofada" que deverá servir egregiamente de alvo. Consiga uma faca, de preferência bem barata e com cabo de madeira, plástico ou mesmo nenhum. Enrole fita adesiva no "cabo", se desejar, e comece a lançar a faca devagar. existem no mercado baionetas velhas e até novas, sem guarda nem talas no cabo. Estas lâminas de alta resistência e que não possuem corte são ideais para o principiante que não terá como estragá-las e poderá, ao final, com um pouco de trabalho, convertê-las em boas lâminas de combate.
Não tente no início acertar na mosca do alvo. O importante é adquirir a coordenação motora braço/pulso/dedos. Atire a faca sem força, observe como ela gira no ar e veja o resultado. Corrija a rotação para que a faca gire como desejado e atinja o alvo com a ponta. Gradativamente aumente a distância e a força. A precisão será uma conseqüência deste treinamento que pouco requer para deixá-lo satisfeito. Comece a lançar a faca a uma distância de 4 passos do alvo. Quando espetar todos os lançamentos afaste-se do alvo mais um passo e assim adquirirá instintivamente o senso da distância. Logo verificará que existe um limite para esta distância.
Perto demais a coisa não funciona; longe demais tampouco. A distância ideal para um lançamento bem sucedido, forte e preciso, está entre 4 e 8 metros do alvo.
Nunca use canivetes para treinar, a menos que esteja pronto para jogá-los fora. Escolha uma lâmina que não tenha ponta muito delgada e cabo de material inquebrável. Coloque o alvo num lugar adequado e comece. Em pouco tempo verá porque Errol Flynn não poderia ter feito o que nós, garotos deslumbrados, acreditamos naquele tempo que ele, com muita naturalidade, fez.
AS "FERRAMENTAS DO OFÍCIO"
Em princípio, qualquer faca pode ser convertida numa arma. Uma faca de cozinha, ou de açougueiro, ou até mesmo a famosa "peixeira", já deixaram muitas viúvas e órfãos chorando. O interessado consciente, entretanto, deve saber como escolher sua faca entre as centenas de modelos disponíveis no mercado.
As famosas Bowie ou "Arkansas Toothpick", que gozam de muita fama, atraem legiões de admiradores e praticantes. Um dos mais singelos modelos do formato Bowie é a faca que foi adotada na 2a. Guerra Mundial pelos Marines dos EUA, a famosíssima KABAR e ainda hoje produzida e disponível no mercado. Na linha dos "Arkansas Toothpick", ou do tipo adaga, temos a menos famosa faca dos comandos britânicos, a Fairbairn-Sykes, que continua sendo produzida e pode ser encontrada pelos interessados com relativa facilidade. A Randall nº 2, ou "Fighting Stiletto", embora artesanal e bem mais cara, é outra boa opção dentre as norte-americanas.
Uma das melhores facas de produção industrial, em série, resultado de estudos aprimorados e detalhados é a Gerber Mark II, aliás oficialmente adota pelas Forças Especiais e Unidades de Elite do exército dos EUA.Sua irmã menor, a Gerber Mark I, é certamente uma das facas mais apropriadas para defesa no meio urbano.
O
formato do cabo, ligeiramente ovalado, permite o posicionamento
correto da faca na mão, de maneira natural e automática. O
duplo fio na lâmina impede que na hora "H" ela seja
empunhada erroneamente com o corte virado para cima. Esta é uma
característica especialmente desejável no escuro ou em momento
de extrema tensão. A ponta é aguda o bastante para que possa
haver fácil penetração, mesmo através de roupa grossa. A
guarda possui formato pequeno e com as extremidades viradas em
direção à ponta. Isto impede que a faca "enganche"
na roupa, especialmente na hora de um saque rápido. Não é
grande a ponto de ser incômoda de portar nem tão pesada que
torne os movimentos lentos. O peso de 150 gramas é suficiente
para um lançamento a curta/média distância. A lâmina, de
excelente aço inoxidável, requer pouca manutenção e alia
consistência e excepcional resistência, tendo a superfície
escovada a fim de evitar reflexos indesejados. A bainha de fibra
revestida de tecido de nylon preto é resistente ao tempo, uso e
umidade, e o fecho que prende a faca é do tipo "saque
rápido", isto é, permite a soltura da mesma com um simples
toque do dedo. Não se trata, finalmente, de uma faca
cara,somente acessível a poucos privilegiados.
Certamente existem no mercado outras facas com boas características, mas a feliz reunião de todas as qualidades desejáveis numa faca de defesa pessoal como a mencionada é certamente algo difícil de se encontrar e são justamente estas peculiaridades que a tornam a escolha lógica dos entendidos pelo mundo afora.
Este artigo não pretende ser um manual de instruções sobre como tirar a vida de pessoas usando uma faca. Procuramos somente elucidar certos tópicos controvertidos ou ignorados pela maioria. De qualquer maneira, o manejo competente de uma faca um dia poderá salvar sua vida ou de pessoas queridas, ou estar a serviço de uma causa em que Você acredita. É necessário, assim, treinamento sério antes que este momento chegue, mesmo que jamais aconteça. Esperamos sinceramente que não.
(Artigo originalmente publicado na revista Magnum, edição nº 31, de novembro/dezembro de 1992, às páginas 22, 23, 24, 25 e 26, aqui reproduzido com a autorização de Laércio Gazinhato, seu diretor técnico).
Notas Importantes: 1) O autor foi o fundador da Old West, empresa de São Paulo (SP) especializada na importação de lâminas e, na época, era seu proprietário; 2) As adagas Mark I e Mark II da Gerber não são mais produzidas; 3) para economia de espaço, algumas fotos da matéria original, julgadas meramente ilustrativas, foram retiradas.
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