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| Glossário Técnico |
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O |
Obsidiana
Designação
técnica do vidro vulcânico. Na Idade da Pedra, era considerado
o melhor material para a confecção das primeiras facas e pontas
de lanças e flechas que a humanidade usou.
P |
"Pamur"
Nome
regional na Malásia e Indonésia para o aço Damasco lá
fabricado, obtido por caldeamento, e que serve para a confecção
das lâminas de alguns "kris" dessa procedência (colaboração
de Rengs Radjib, Rio de Janeiro - RJ).
"Pantaneira"
Designação
da faca utilitária utilizada no Pantanal Matogrossense. Sua
lâmina larga e sua empunhadura (habitualmente de madeira) se
assemelham as de uma faca de cozinha e sua bainha de couro tem
desenho próprio e característico, com reforços do mesmo
material no bocal e na ponta.
"Papier
maché"
Em
francês, literalmente "papel desmanchado". Massa de
pasta de papel e cola muito utilizada desde o século 18 e até o
início do 20 para diversos fins, entre eles também a
confecção da estrutura de bainhas de facas, punhais e adagas,
habitualmente revestidas com couro fino, papéis decorados ou
tecidos, podendo ter ou não bocal e ponteira em metal.
"Parkerização"
(ing. "Parkerising")
Uma
das variantes do processo de acabamento protetor tecnicamente
conhecido como fosfatização, muito aplicado em
armas de fogo, baionetas e facas militares. Tem esse nome apenas
nos EUA, onde foi patenteado pelos Laboratórios Parker, de
Detroit, Michigan, em 1906.
"Parnaíba"
Designação
popular particular das regiões Norte e Nordeste do Brasil ,
diversas vezes encontrada na antiga literatura nacional, que se
refere a uma variante da faca-de-ponta cuja lâmina é de pouca
largura e exageradamente longa, muito usada por cangaceiros.
Seria uma variante da "faca de arrasto" e essa
designação teria se originado nas cutelarias da cidade de
Parnaíba, no Piauí. Veja também "Faca de
arrasto".
"Patch
knife" ("faca de retalho")
Pequena
faca usada por montanheses e caçadores norte-americanos durante
os séculos 18 e 19 para suas armas de antecarga. Basicamente,
destinava-se a cortar os excessos de retalho de tecido
("patch") que eram usados para envolver parte dos
projéteis das referidas Armas de Fogo. Muitas eram feitas de
lâminas reaproveitadas de talheres quebrados. Em realidade, a
"patch knife" também tinha as funções de uma faca
utilitária e eventualmente de "skinner" dos homens das
montanhas e caçadores, no início do Velho Oeste.
Pedra Arkansas
(ing."Arkansas stone" ou "Arkansas sharpening
stone")
Designação
popular da pedra Novaculite, encontrada (ainda) em razoável
quantidade no Estado norte-americano do Arkansas, usada desde
tempos imemoriais pelos indios, posteriormente por colonos e
desde os anos finais do século 19 comercializada por muitas
empresas dos EUA. Essa pedra não é exclusiva dos EUA, existindo
em muitos outros países e é considerada o melhor produto
natural para afiar lâminas. O tipo mais raro (e caro) destinado
a afiação final é a de cor negra.Pronuncia-se
"Arcansó".
Pedra de afiar
diamantada (ing. "diamond sharpening stone")
Produto
industrial dos EUA, lançado em meados da década de 1980, com
enorme sucesso até hoje. Em realidade, não trata-se de uma
pedra no sentido lato, mas sim de fina barra de aço sinterizado
com pó de diamante industrial em diversas granas. São
atualmente produzidas por mais de 10 fabricantes
norte-americanos, numa infinidade de formas e modelos, desde
aqueles dobráveis, próprios para canivetes, até versões com
20 cm, ou mais, de comprimento, mais apropriadas para facas
grandes, passando por "kits" com diversas delas. Sob o
ponto de vista eminentemente técnico, são melhores do que as
naturais ou sintéticas antigas, pois sua durabilidade é
muitissimo maior. Atualmente, o maior fabricante do mundo dessas
"pedras" é a empresa norte-americana DMT - Diamond
Machining Technology.
Pedra da
Índia (ing."India stone" ou "Fine India
stone")
Nome
comercial genérico das primeiras pedras de afiar sintéticas
criadas pelo homem, no final do século 19 e produzida até hoje.
É também conhecida nos EUA pela designação de "red India
stone" (pedra vermelha da India) devido a sua
característica cor vermelho-alaranjada. Desde o final dos anos
da década de 1970, é este tipo de pedra que vem na bainha das
famosas facas Randall. (colaboração de Cláudio
Graciolli, São Paulo -SP)
"Peixeira"
ou "Pexera"
Designação
popular da faca utilizada para defesa nas regiões Norte e
Nordeste do Brasil.
"Pica-fumo"
Designação
popular brasileira de um tipo de canivete, originalmente pequeno
e com 1 ou 2 lâminas, muito utilizado em nosso país a partir do
final do século 19, principalmente por populações rurais. O
modelo original era da marca inglesa Joseph Rodgers, tinha a
empunhadura arredondada na traseira e talas de empunhadura em
chifre de búfalo negro. A partir do início dos anos de 1930, a
Rodgers passou a fornece-los com talas de empunhadura em
baquelite negro e a primeira empresa brasileira a produzir uma
cópia do tipo foi a paulistana Corneta, ainda em finais da mesma
década. A partir de 1950 artesãos do Interior paulista
(principalmente das cidades de Barretos e Brotas) passaram a
produzi-los numa imensa variedade de tamanhos, muitas vezes
usando chifre bovino ou madeira na empunhadura.
"Picazo"
Designação
original argentina para bainhas de facas gaúchas com o corpo em
couro negro e bocal, ponteira e, por vezes, reforço
intermediário em prata. A designação vem do nome popular que
nos Pampas Gauchos se dá ao cavalo com pelagem escura e áreas
brancas nas extremidades. Segundo estudiosos argentinos e
uruguaios, este teria sido o primeiro tipo de bainha das facas
gaúchas. No Brasil, bainhas desse tipo são extremamente raras.
Pino (ing.
"pin")
Peça
metálica de secção circular e pequeno diâmetro utilizada para
fixar as partes de uma faca, especialmente as talas de
empunhadura. Também podem ser utlizados rebites em suas formas
mais tradicional.
"Pits"
Literalmente,
essa palavra em inglês significa cova, buraco, poço, etc. O
têrmo é usado em todo o mundo por apreciadores de armas de fogo
e cutelaria para definir pequeninos pontos localizados de
ferrugem que já corroeram uma superfície metálica.
Polegada
Medida
inglesa habitualmente usada em cutelaria para medir comprimento e
espessura. 1 (uma) polegada equivale a 2,54 cm, ou 25,4 mm, e é
habitualmente dividida em 64 (sessenta e quatro) ou, desejando-se
mais precisão, até 108 (cento e oito) partes. Para mais
informações sobre frações de polegada e espessuras de
lâminas, veja quadro "Entendendo as Espessuras das
Lâminas" ao final da página "Investindo
em Cutelaria".
Polimento
Processo
de retirada das marcas deixadas pelo desbaste com o intuito de
melhor pronunciar os vazados ou planos da lâmina e também de
melhorar-lhe a aparência.
Ponteira (ing.
"sheath tip")
Peça
metálica, ou de couro, no extremo da bainha presente em muitas
facas européias, Bowies, gaúchas, etc. Serve de reforço e
também como elemento decorativo. Geralmente a ponteira é
acompanhada de um bocal do mesmo material.
Pomo (ing.
"pommel", ou "butt", ou "butt cap")
Acabamento
da empunhadura em sua porção final, normalmente aparafusado,
arrebitado ou colado no material.
Prateiro (ing.
"silversmith", esp. "platero")
Profissional
que confecciona trabalhos em prata, entre eles empunhaduras e
bainhas para facas, principalmente as dos tipos gaúcha,
"franqueira", algumas mineiras, outras do
Norte/Nordeste, etc. No Brasil colônia era também chamado de
"ourives de prata".
"Puko"
ou "pukko"
Designação
da clássica faca de caça da Finlândia.
Punhal (ing.
"poignard")
Arma
branca de lâmina delgada e muito aguda, normalmente sem fio,
desenhada para ferir com a ponta.
"Punhal
de cangaceiro"
Designação
popular brasileira de grandes punhais (habitualmente com mais de
10 polegadas de lâmina), normalmente produzidos nas regiões
Norte/Nordeste do País, mas não necessariamente na época
áurea do Cangaço (finais da década de 1920 e até a década de
1930).
Punhal
Fairbarn-Sykes
Clássico
punhal dos comandos ingleses na 2a. Guerra Mundial, especialmente
criado para infligir grandes traumatismos. Veja também "Fairbarn-Sykes".
"Push
dagger" ("adaga de empurrar")
Criação
muito compacta surgida na época do Velho Oeste e habitualmente
usada por jogadores. Habitualmente, trata-se de uma lâmina de
duplo fio, raramente com mais de 3 polegadas de comprimento,
inserida numa empunhadura curta, de palma de mão, que se encaixa
ergonomicamente entre os dedos médio e anular, facilitando sua
penetração. Nos anos da década de 1980 houve, a partir dos
EUA, um rejuvenecimento da idéia tanto por parte de empresas
cuteleiras quanto por "customs", o qual reviveu o
modelo e seu uso. Muitos produtores trataram esse novo produto
sob o nome de "urban pal" (companheiro urbano) e este
têrmo acabou tornando-se um quase sinônimo do modelo quando
moderno.
Q |
Quicé
Designação
popular particular das regiões Norte e Nordeste do Brasil para
um antigo tipo de faca utilitária bem pequenina, normalmente com
apenas cerca de 8 cm de lâmina, habitualmente usada para
pequenos afazeres no campo, tais como marcar orelhas de gado,
castração, trabalhos em couro, etc. Particularmente em Sergipe
tinha o nome de "caxerenga". Seria a equivalente da
"naife" gaúcha (veja "naife").
A pronúncia "quicé", ou "kisé", em
tupi-guarani significa "faca velha, enferrujada", e o
têrmo "caxerenga" no vocabulário gauchesco tem o
mesmo sentido.
R |
Randall
Nome da
mais famosa marca de facas "custom" do mundo. Em
realidade, hoje trata-se de uma equipe de cuteleiros, atualmente
sob o comando de Gary Randall, filho do cuteleiro norte-americano
Walther Doane (W.D.) Randall (1909-1989), formada na década de
1960, embora a marca exista desde 1938. O atelier dessa equipe
situa-se numa plantação de cítricos na cidade de Orlando,
Flórida, e tornou-se atração turística para apreciadores de
cutelaria fina de todo o mundo. As facas Randall tem tanta
personalidade em seus "designs" que especialistas
norte-americanos cunharam o têrmo "Randall style"
("estilo Randall") para criações similares de outros
cuteleiros "custom" e para alguns modelos de marcas
comerciais, como a extinta e famosa Blackjack e a "R1
Military Classic" da Cold Steel.
"Rat-tail
knife" ("faca rabo-de-rato")
Designação
popular norte-americana de toscas facas utilitárias executadas a
partir de finais do século 18 por ferreiros das primitivas
fronteiras dos EUA. Caracterizam-se por ter lâmina e empunhadura
forjadas de uma só barra de aço, esta última voltada para
baixo, arredondada e afinando-se, de maneira bastante similar à
cauda do mencionado roedor. A partir dos anos 90, com o modismo
do "fronteir look", alguns cuteleiros
"custom" voltaram a produzi-las, a maior expressão do
tipo sendo atualmente Daniel Winkler.
Revenimento
Tratamento
térmico onde uma lâmina de aço é aquecida até um ponto
médio (e depois deixada resfriar naturalmente) em que as
tensões desnecessárias ocasionadas pela têmpera são
retiradas, tornando-a mais "elástica".
"Rezin
bowie" (Bowie de Rezin)
Rezin
Bowie foi irmão do famoso Jim Bowie e costumava presentear
amigos com aquilo que os colecionadores hoje denominam
"Bowies primitivas ou iniciais", que muito se parecem
com adagas mediterâneas acrescidas de guardas duplas. Logo após
o modismo do "frontier look" nos EUA a partir do
início dos anos 90, alguns cuteleiros "custom"
reviveram esse tipo de Bowie em criações muito sofisticadas.
Ricasso
Zona
lateral da lâmina, junto à guarda, sem fio, destinada a conter
- na maioria dos casos - o timbre do produtor.
Rodgers ou
Joseph Rodgers
Nome(s)
da mais famosa marca de facas do mundo, produzidas em Sheffield,
Inglaterra, desde finais do século 18 e até 1974. Atualmente,
uma companhia inglesa possui o nome e a famosa marca do asterisco
e da cruz, licenciando empresas a produzirem itens com ela, os
quais nem de longe se comparam a qualidade e acabamento dos
originais.
"Royal
warranties" (literalmente, licenças reais)
As
lâminas das facas produzidas pela empresa Joseph Rodgers &
Sons e alguns outros poucos fabricantes ingleses do passado
apresentam inscrições adicionais às marcas de fábrica que
podem auxiliar o colecionador a localizar sua peça no período
aproximado de fabricação. Estas marcas indicavam que o
fabricante possuía uma "Royal Warrant", ou nomeação
oficial da família real britânica que o havia licenciado como
provedor da Coroa. Este fato significava uma alta honra que
distinguia a empresa, evidenciando que um ou mais membros da
família real haviam adquirido oficialmente seus produtos. Esta
licença era outurgada em ocasiões especiais para poucas
empresas cujos produtos eram de excepcional e reconhecida
qualidade.
Obviamente, esta distinção especial era orgulhosamente
manifestada pelas empresas que a haviam recebido e serviam como
detalhe particular em toda a publicidade ou catálogo, bem como
também se timbravam os produtos indicando a posse de tão
ambicionada nomeação.
As facas e
outros produtos de cutelaria não eram excecão a esta regra e as
poucas empresas inglesas de cutelaria que receberam a nomeação
marcavam suas lâminas de acordo com a personalidade que reinava
no momento de produção das peças. A marca oficial consiste de
uma inicial do nome do rei ou rainha, seguida de uma pequena
coroa e da letra "R" (em latim, "Rex" ou
"Regina", rei ou rainha, segundo o que correspondia).
No quadro anexo se mostram estas marcas e seus períodos de uso.
Note que a marca "G coroa R" se utilizou antes de 1830
e depois voltou-se a utilizá-la após 1910, ao coincidir o nome
dos reis. Não obstante, a aparência da marca mais antiga
evidencia o emprego de um punção algo tosco, marcado à mão
com o auxílio de martelo. A marca mais moderna tem uma
aparência diferente e mais elaborada já que o punção foi
melhor realizado, sendo puncionado em prensas ou gravado a
ácido. Outros detalhes como o modelo ou desenho da peça podem
fornecer indícios acerca de sua correta época de fabricação.
Junto com as
marcas descritas podem aparecer gravadas na lâmina as
expressões "Cutlers to His Majesty" ou também
"Cutlers to Their Majesty", que significam,
respectivamente, "Cuteleiros de Sua Majestade" ou
"Suas Majestades". No caso da rainha Vitória, cujo
extenso reinado foi de 1837 a 1901, se emprega o nome possessivo
feminino em idioma inglês "her", salvo no período em
que essa rainha esteve casada com Alberto da Saxônia
(1840-1861), onde se utilizou a expressão "Cutlers to Their
Majesty", ou seja, o plural "Suas Majestades".

S |
"Samê"
Pronúncia
do têrmo japonês para "pele de arraia" (rhinobatus)
curtida, com o qual se reveste a parte de madeira da
empunhadura de espadas e tantôs japoneses. Apresenta
granulação regular, dura e originalmente é de cor branca ou
creme. Propicia resistência e proteção adicionais à madeira.
Sambar
Nome de
um veado indiano (Cervus unicolor) cujos chifres são
bastante indicados para uso em empunhaduras de facas (explorado
comercialmente em grande escala desde o século 19, quando a
Índia era uma colonia inglesa e a indústria cuteleira de
Sheffield florescia) e atualmente dos mais usados, embora em 2000
o governo da India tivesse restringido sua exportação.

"San
Francisco bowie" (Bowie de San Francisco)
Designação
norte-americana dada por colecionadores e artesãos a um tipo
pequeno de faca Bowie, normalmente "spear point" e com
lâmina não superior a 6 polegadas de comprimento, produzidas na
cidade californiana de mesmo nome, durante o século 19 e início
do 20. Naquela região e no mencionado período, essas pequenas
Bowies tornaram-se modismos entre os cavalheiros, jogadores e
damas. Os mais famosos cuteleiros originais desse estilo foram
Michael Price e Will & Finck e as mais desejadas criações
são aquelas com empunhaduras em talas de abalone, madrepérola
ou marfim.
"San
mai" (em japonês, três camadas)
Pronúncia
da designação japonesa de um aço específico para cutelaria
usado principalmente em alguns modelos da marca norte-americana
Cold Steel. Técnicamente, nada mais é um "sanduíche"
de aços de diferentes durezas que objetiva (como o aço Damasco,
só que de produção mais barata) conceder, ao mesmo tempo,
dureza e elasticidade a uma lâmina. O nucleo (1 camada) do San
Mai é de um aço que - após a têmpera - adquire grande dureza,
sendo caldeado entre duas barras (2 camadas) de outro aço que
após temperado apresenta boas características de elasticidade.
"Shabbat
knife" (faca de sábado)
Designação
de tradicional faca ou canivete utilizado por judeus nos dias de
sábado. Habitualmente, a lâmina (no caso das facas) ou a
empunhadura (no caso dos canivetes) apresenta gravações
características, na maioria dos casos "Sábado
Sagrado" (pronúncia "Shabbat Kodesh"), em
caracteres hebraicos. Os mais desejados exemplares são aqueles
com empunhadura em madrepérola ou marfim. Atingiram o ápice de
sua manufatura nos anos da década de 1920.
Scagel (ou
"Scagel style")
O
canadense naturalizado norte-americano William (Bill) C. Scagel
(1873 - 1963) é considerado "o pai da cutelaria artesanal
do século 20 nos EUA". Ele produziu facas durante 52 anos
ininterruptos (de 1910 a 1962) e sua técnica e estilo marcantes
(normalmente com lâminas de linhas curvas e contínuas)
influenciaram muito o célebre cuteleiro W.D. Randall. À Scagel
é creditado o uso combinado de arruelas de couro e chifre de
veado em empunhaduras de facas modernas (o que, na década de
1930, seria copiado pela marca norte-americana Marble).Embora as
criações originais sejam muito brutas para os atuais padrões
da cutelaria "custom", existem colecionadores
específicos de suas facas que pagam pequenas fortunas para
exemplares em bom estado. A partir do lançamento de apenas 300
exemplares do modelo comemorativo de 50 anos da Randall (em 1988,
sendo uma luxuosa réplica da 1a. faca que Randall executou em
1938 justamente baseado numa Scagel), alguns cuteleiros
"custom" reviveram o estilo desse velho mestre em novas
criações e cunhou-se o têrmo "Scagel style" para
defini-las.
Scholberg
Marca da
mais famosa lâmina usada em facas gaúchas e em alguns outros
itens de campo (estribos, terminais metálicos de arreios,
rarissimos chicotes-estoque, etc). As lâminas eram encomendadas
à matriz da empresa (Scholberg & Cie.) em Liége, Bélgica,
e distribuidas para filiais no Uruguai, Argentina e Brasil. A
filial brasileira esteve ativa entre 1850 e 1936, com
diversas razões sociais e uma loja na cidade de
Pelotas (RS), a qual - além de produtos acabados - também
fornecia lâminas dessa marca para "prateiros"
executarem empunhaduras e bainhas de prata. Na maioria das
lãminas dessa marca destinadas ao mercado brasileiro há a
figura de um coqueiro, motivo inspirado em uma dessas arvores que
existia na calçada da loja na cidade de Pelotas.
"Scrimshaw"
Antiga
técnica de marinheiros caçadores de baleias que consiste na
gravação superficial de marfins ou ossos de animais marinhos,
bem como em chifres bovinos. Seu apogeu foi no século 19 e
principalmente nos EUA. Na atualidade é utilizada principalmente
na decoração de empunhaduras de facas e canivetes sofisticados,
muitas vezes executada sobre materiais sintéticos. Exemplares de
facas antigas com essa técnica de decoração na empunhadura
são raríssimos.

Seki
Cidade
japonesa considerada "a Solingen do Oriente", cuja
economia é baseada na produção de cutelaria. Atualmente em
Seki é produzida grande parte dos modelos criados por algumas
boas empresas norte-americanas. Este processo teria se iniciado
por interferência do cuteleiro "custom" nipo-americano
Al Mar no inicio dos anos de 1980, quando ele foi contratado como
"designer" e supervisor de produção da célebre
Gerber, e posteriormente incentivado pelo poderoso
colecionador/comerciante norte-americano James Parker. Hoje na
indústria cuteleira de Seki existem 40.000 trabalhadores.
"Sgian
Dubh"/"Skene Dhu"
Nome de
uma pequena adaga típica escocesa (com lâmina entre 3 e
4", popularmente conhecida na Escócia também como
"Faca Negra"), que foi a primeira faca "de
bota" do mundo, seu advento datando do século 18.
Habitualmente apresenta empunhadura da madeira ébano (ou madeira
enegrecida) lavrada com a forma de cordas entrelaçadas
terminando numa pedra semi-preciosa. Era portada na meia da perna
direita da vestimenta tradicional dos Highlanders. As
decorações nas facas originais variavam segundo os clãs ou
regimentos.

"Shear
steel"
Tipo de
aço primitivo obtido pelo forjamento de ferro cementado.
"Skinner"
Faca
utilitária de pequenas dimensões inicialmente utilizada para a
retirada da pele ou couro de animais. Posteriormente, dada a sua
portabilidade, ganhou outros usos. "Skin" em inglês
significa pele.
Solingen
Nome da
mais famosa cidade produtora de cutelaria do mundo. Situa-se na
Alemanha e já no século 13 era um grande centro cuteleiro. É
limítrofe com Oihligs e Remscheid, que também tornaram-se
centros cuteleiros germânicos até os anos de 1930. Em lâminas
de modelos comerciais pode estar timbrada mais normalmente com
uma das seguintes formas: apenas "Solingen",
habitual até antes da 2a. Guerra Mundial; "Solingen
- Made in Germany", logo após a 2a. Guerra e até
os anos finais da década de 1960; ou "Solingen-Germany",
após os anos iniciais da década de 1970.
"Sorocaba"
ou "Sorocabana"
Designação
da primeira lâmina de "design" genuinamente
brasileiro, empregada em facas, facões e até pequenas espadas.
O nome provem da cidade paulista de Sorocaba, para onde, desde
finais do século 18, se dirigiam caravanas de tropeiros vindos
do Sul do Brasil para as tradicionais feiras de gado que lá se
realizavam.
"Spanish
notch" (literalmente, "entalhe espanhol")
Pequeno(s)
entalhe(s) entre o "ricasso" e o início do fio,
normalmente encontrado(s) em facas muito antigas, principalmente
adagas/facas mediterrâneas e, afirmam especialistas
internacionais, destinado(s) a ser(em) suporte adicional onde se
coloca a unha do polegar da mão que a empunha, ou a travar uma
lâmina oponente, ou impedir que liquidos deslizem para o
interior da empunhadura, ou ainda uma simples forma de
decoração para essa parte. Dos modelos mediterrâneos, os
"entalhes espanhóis" passaram às facas gaúchas e
para algumas Bowies mais antigas.A verdade é que ainda não se
descobriu exatamente qual a real utilidade prática dos
"entalhes espanhóis"...

"Spear
point"
Literalmente,
"ponta de lança". Tipo de lâmina onde o terço final
do dorso projeta-se para baixo em arco convexo, o mesmo sucedendo
com o fio, de modo que os dois arcos se encontrem no, ou próximo
do, eixo.

"Stiletto"
É a
palavra italiana para estilete. Tipo de punhal de base larga
usado para perfurar e infligir grande traumatismo. Foi usado em
toda a Europa medieval, mas ficou famoso na Itália, por ser uma
das armas preferidas dos antigos assassinos profissionais e de
integrantes da Omertá, da Cosa Nostra, etc. Essa arma branca foi
imortalizada no clássico livro (depois filme) do mesmo título,
do autor norte-americano Harold Robbins.
Sub-guarda
(ing. "sub hilt")
Nome de
uma pequena guarda (simples ou dupla) que é colocada no primeiro
terço da empunhadura, logo após a guarda verdadeira, ou
"bolster" de facas do tipo "fighter", ou
mesmo utilitárias, destinando-se a melhor travar a mão por
reter o dedo indicador. Sua criação é atribuida ao cuteleiro
norte-americano Bob Loveless nos anos iniciais da década de
1970, embora já existissem algumas toscas facas de trincheira da
época da 2a. Guerra Mundial com essa apresentação.
T |
"Tácoba"
Pronúncia
do têrmo africano que designa a espada reta usada pelos famosos
guerreiros "tuaregs" (também chamados de "homens
azuis") que habitam o Deserto do Saara desde tempos
imemoriais. Segundo a tradição, esta espada é, depois da
montaria, o bem mais precioso desses guerreiros (colaboração
de Júlio Toledani, Porto Alegre - RS).
Talas de
empunhadura (ing. "scales"; esp. "cachas";)
Material
agregado ao "espigão", "tang" ou estrutura
da empunhadura, destinado a melhorar a aparência e a
"pega".
"Tantô"
Pronúncia
do têrmo japonês que literalmente significa "espada
curta" e que, naquela cultura, ganhou genéricamente o
significado de "lâmina curta". Hoje designa, em todo o
mundo e de forma genérica, lâminas com típico
"design" daquela origem. De forma clássica, o
comprimento máximo da parte aparente ("nagasa") de uma
lâmina de "tantô" deverá de 30,3 cm (1
"shaku", ou 11.93"), e ter "tsuba". Caso
não tenha guarda, é classificado como
"aikuchi".
"Tatchi"
Pronúncia
do têrmo japonês "espada longa" (que também pode ser
"daitô), usada desde o Japão feudal. Sua lâmina pode ter
o comprimento variando de 62 a 70 cm ou mais.
Têmpera
Tratamento
térmico onde uma lâmina é aquecida até que o aço torne-se
totalmente rubro e seja bruscamente resfriado, em água, óleo ou
mesmo no ar, ganhando dureza. Existe também a têmpera subzero,
onde o processo é resfriar a lâmina com o auxilio de gases,
até temperaturas iguais ou superiores a 150ºC negativos.
Têmpera
Seletiva
Técnica
de tratamento térmico com o objetivo de conceder durezas
diferentes em partes distintas de uma mesma lâmina,
o mais habitual sendo maior dureza na
área de fio e menor na área de dorso,
embora tenham existido algumas lâminas européias (de facas e
canivetes) do século 19 com maior dureza na área do dorso, com
o intuito de obter-se fagulhas (e assim fazer fogo) através de
golpes em pederneiras ou bastões de aço temperado. O
caracteristico "hamon" (ou linha de têmpera) visto nas
lâminas japonesas nada mais é do que um tipo de têmpera
seletiva. Quando bem executada, a têmpera seletiva concede mais
flexibilidade à lâmina, evitando que esta se parta com
facilidade.
Thiers
Cidade
que foi o maior e mais famoso centro cuteleiro da França, desde
o século 16 (colaboração de Jean Lucerne de
Britto, Embú das Artes - SP).
"Toh-su"
ou "Tozu"
Fonética
do têrmo japonês que define uma pequenina faca utilitária
nipônica - usada desde o Japão feudal e até nossos dias - com
lâmina de comprimento máximo ao redor de 4" e empunhadura
longa e estreita (habitualmente de madeira), cuja porção
posterior é levemente inclinada para cima.
Toledo
Cidade
espanhola, célebre por sua cutelaria, principalmente na Alta
Idade Média, onde rivalizava com Solingen, Alemanha. No
mencionado período, tornou-se célebre pelas espadas que
fabricava e pelo aço nelas empregado.
"Tomahawk"
Tipo de
machado leve utilizado inicialmente pelos índios
norte-americanos. Historicamente, o primeiro registro de seu uso
(quando ainda de pedra) foi por parte dos índios da tribo
Algonquin, na região que é o atual Estado da Virgínia.
Comerciantes europeus que forneciam equipamentos copiaram-nos em
bronze e aço e estes foram levados às primitivas fronteiras dos
EUA por negociantes de peles para troca com os índios. Dada a
sua eficácia tanto como ferramenta quanto como arma, foi também
muito usado na Guerra da Independência dos EUA, ainda no século
18, e no século 19 pelos homens das montanhas. Existiram em
diversos tipos, mas os mais conhecidos são: "pipe
tomahawk", ou "tomahawk-cachimbo" (com um
receptáculo acima da lâmina para a inserção de fumo e
empunhadura perfurada para a passagem da fumaça), e "spike
tomahawk", ou "tomahawk-espigão" (com
uma projeção pontiaguda acima da lâmina).Em nossa
página "Textos Selecionados", veja extenso artigo
sobre esses machados.

"Trapper"
Armadilheiro,
em inglês. Designação genérica de um antigo tipo de canivete
tipicamente norte-americano, normalmente de médias para grandes
dimensões (lâmina entre 3 e 5 polegadas de comprimento),
habitualmente com 2 lâminas que se abrem para o mesmo lado ou,
mais raramente, 3 lâminas (nesse caso, uma delas abrindo para o
lado contrário das outras), com pontas de formatos diferentes,
muito próprio para trabalhos no campo, até os mais delicados.
Esta é também a designação do famoso Modelo 25 da célebre
Randall. Os "trappers" foram os canivetes preferidos
dos "cowboys" do Velho Oeste.
"Trousse"
Têrmo de
provável origem francesa usado para definir - desde o século 16
- uma bainha que comporte faca de caça + faca de mesa e garfo,
em compartimentos próprios para cada item. Eventualmente, o
"trousse" podia, além da faca de caça, conter
instrumentos para o desmembramento e limpeza da caça. No
Oriente, caçadores da China, India, Tibete, Manchuria e Coréia
também usaram "trousses", os dessa origem sendo
imediatamente reconhecidos por terem "palitos" (de
madeira, osso ou marfim) em lugar da faca de mesa e do garfo. A
partir do início do século 19, os "trousses"
orientais foram também usados por monges peregrinos e outros
tipos de viajantes. Alguns antigos "dirks" escoceses
também apresentam bainhas com compartimentos próprios para
garfo e faca, ou então para uma pequenina faca utilitária, mas não
são classificados como "trousse".
"Tsuba"
Pronúncia
do nome japonês da guarda em espadas japonesas. Veja
artigo na página de "Textos Selecionados".
V |
Vazados ou
Planos das Lâminas
O mesmo
que Biséis.
W |
"Wakisashi"
Pronúncia
do têrmo japonês que define "espada média", usada
desde o Japão feudal. Sua lâmina pode ter comprimento variando
de 33 a 53 cm.
"Whittler"
Designação
moderna para um antigo tipo de canivete de 3 (três) lâminas,
uma maior em um dos lados e duas menores no outro. A principal
característica dos canivetes do tipo "whittler" é o
fato de a lâmina maior utilizar o conjunto de molas das menores
para travar-se. Desde o século 19, é o tipo preferido das
grandes marcas e artesãos (principalmente ingleses) para
expressar seus maiores trabalhos de arte (colaboração
de Michael Rethmeyer, de São Paulo -SP).
"Wootz"
Pronúncia
do nome dado à "pastilha" (normalmente a massa
metálica solidificada no fundo de um pequeno pote ou cadinho,
com diãmetro de 7 a 12 cm), que - a partir do século 10 e no
Oriente - era fornecida aos cuteleiros para a confecção de
barras e posteriormente lâminas com o aço Damasco original. As
primeiras menções a espadas de extrema elasticidade fabricadas
com o aço de "wootz" datam do ano 540, mas apenas com
as Cruzadas, a partir do século 10, é que os europeus tomariam
contato com o aço Damasco.
Y |
"Yari"
Pronúncia
do têrmo japonês que literalmente significa lança.
Eventualmente, a lâmina de uma "yari" podia ser
aproveitada para a confecção de um "tantô",
"aikuchi", etc (colaboração de Kushio
Yama, Mairiporã - SP).
"Yatagan"
Arma
branca originária do Médio e Extremo Orientes. Este tipo de
lâmina foi adotado por algumas culturas balcânicas e
posteriormente adaptado em muitas facas e baionetas ocidentais.
Caracteriza-se pelo comprimento sendo dominado por graciosa e
elegante curvatura no formato de um suave "S".
Z |
Zytel
Marca
registrada da Dupont para um composto formado por
"nylon" reforçado com fibra de vidro, que apresenta
excelentes níveis de resistência e leveza e é obtido através
de processos de injeção. É muito utilizado na confecção
comercial de empunhaduras de facas e canivetes modernos.
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